"A sua casa está com cara de mudança", alguém disse.
É. Chegou a hora da despedida. Aquela mesma, que sempre soube que chegaria, só não sabia que ia doer tanto. Como é que a gente pode sentir saudade de uma cidade? Ok, eu sinto saudades homéricas de Londres e só passei lá um mês. Aqui, são onze anos de uma vida de 28.
Foi aqui, nos pilotis da PUC, que ficava feliz ao ver um certo moço de olhos azuis em dias de sol. Anos e anos querendo matar os motoristas do 432 e do 435; alguns outros dando beijo de bom dia num menino que vinha no 404, de Ipanema, em direção ao Centro. Quis implodir a escola de crianças vizinha ao prédio; comi pão francês quentinho como só as padarias cariocas fazem; esperei o sol nascer pra vir caminhando da Bunker. Comemorei aniversários; atravessei a ponte pra pintar o cabelo; passei tardes olhando vitrine em Ipanema. Suspirei com os ombros sardentos; tomei banho de chuva vendo escola de samba; recebi a pior notícia da minha vida num apê escuro.
Nesta cidade eu cresci e me tornei a mulher que eu sou. Conheci pessoas extraordinárias, que estarão no meu coração pra sempre. Eu chorava quando o avião levantava vôo no Galeão. Depois de alguns anos, passou. Achei que nosso relacionamento tinha acabado. Bobagem. Era só uma desilusão momentânea.
Continuo amando o Rio de Janeiro, como se não houvesse passado um segundo desde os anos em que um certo avô me pegava pela mão e me levava ao Arpoador. Eu vou morrer de saudades. E a cada vez que lembrar do cheiro, do céu, do mar desta cidade, vou chorar um pouquinho por dentro.
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