quinta-feira, 10 de abril de 2008

Eu sei que corro o risco de virar uma old lady chatíssima que só fala de problemas. Mas quem lê isso aqui, anyway?

Eu tenho medo de telefone. Muito. Na terça de madrugada meu celular faz um esporro. Três e vinte da manhã. Quase ninguém (na verdade, umas 5 pessoas) têm o meu número de São Paulo. Medo.

Era só uma mensagem que foi enviada horas antes por uma amiga da faculdade, avisando que eu tinha que ler um determinado livro (nem comecei) pra terça feira que vem.

Mal eu sabia que estava acontecendo algo bem ruim, mas bem longe daqui.

Hoje meu celular toca de novo. Dessa vez, onze da manhã, horário normal. O número no visor, porém, já trazia a desconfiança de que algo estava errado. Era meu pai.

"Peraí que tua mãe quer falar contigo", ele disse.

"Fuck!", pensei.

Estavam todos confraternizando no hospital. Sim, eu estou sendo irônica.

Na terça feira a noite minha avó sofreu convulsões e aparentemente um AVC (confio nas convulsões pois minha mãe estava presente. No AVC, não, mas já explico o motivo). Está internada desde então. Eu não fui avisada pq desde que meu avô faleceu, há mais de 15 anos, que minha mãe acha que terei um súbito ataque de histeria como tive naquele dia. Ela esquece que cresci e já tomei muita porrada. Virei casca-grossa. Ela não acredita e ainda tenta me proteger das más notícias, como se elas não fossem acabar chegando de qualquer maneira.

Muita gente vê os avós só no Natal; algumas pessoas sequer tiveram o prazer de conhecê-los. Eu, não. Conheci os quatro e ainda ganhei uma avó postiça. Três avós, ao todo, e dois avôs. O paterno convivi muito, muito pouco. O materno, que me provocou a tal histeria ao falecer, era - e é - um grande exemplo de homem culto, honesto e batalhador. Tenho orgulho do meu sobrenome, mas não por achar que pertenço a uma casta superior (como muitos em Manaus acham de si mesmos), mas sim pq mostra de onde eu vim. Eu tenho genes daquele homem no meu corpo. E me orgulho.

Hoje, continuo com a avó postiça (que, confesso, não dou a atenção que merecia, apesar de tê-la sempre em meus pensamentos) e com a mãe da minha mãe.

É a minha gorda, que, sempre que chamada assim, responde : "é tu, baleia". É quem fala "consolo" em vez de "console". Quem me dá dinheiro escondido de vez em quando, como se cinquenta reais fossem mudar as nossas vidas - mas é nosso segredo, afinal de contas. Foi com ela que me mudei pro Rio, aos dezessete anos, e que me dava uma enorme preocupação a cada vez que saía de casa. Foi na casa dela em que me criei, onde quebrei o braço, onde comemorei muitos aniversários e também briguei algumas vezes. Foi onde nosso cachorro Apolo morreu, onde vi a notícia da morte do Chacrinha e onde via as imagens da guerra do Kwait.

Ela não é avó "de Natal". É avó de todo dia.

Hoje meu coração está pequenininho, pequenininho. Mas, como disse um amigo do meu irmão: os melhores médicos de Manaus são a TAM e a Varig. E, se tudo der certo, em breve ela estará por aqui pra se cuidar melhor.

Nenhum comentário: