quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quarta feira.

Sempre foi um dia que tive simpatia. Volta e meia se marcam compromissos sociais às quartas: um happy hour pra animar a semana (afinal, falta muito pra sábado ainda), um cineminha (mais barato, mais vazio...)....

Mas o pior dia da minha vida - 12 de novembro de 2003 - foi uma quarta feira. Um "acidente" fatal vitimou minha irmã.

Hoje, mais uma quarta feira comum. Dia de rodízio: que saco! tenho que ir de transporte público pro trabalho. Primeiro tempo na faculdade: antropologia. Saco ao cubo! Segunda aula: fotojornalismo. Show de bola.

Surge uma dúvida no trabalho. Ninguém sabe ao certo me responder a questão.

"Esse pessoal de São Paulo é muito burro mesmo", digo eu.

Ligo pro mesmo setor da empresa no Rio, aquele mesmo em que trabalhei por longos e dolorosos 4 anos.

Papo vai, papo vem, dúvidas mais ou menos dirimidas... e cai a bomba: uma ex-colega de trabalho E amiga pessoal está com câncer.

É humanamente impossível não desmoronar com uma notícia dessas. Neste exato momento, mais de 12 horas depois, minha cabeça ainda dói por todas as lágrimas que não pude chorar no escritório. Algumas escaparam, não teve jeito.

Daí eu lembro de 7 anos atrás, em 2001, quando eu entrei na empresa e ela já estava lá. Dividíamos o mesmo lado da baia. De lá pra cá, conheci o "namorido" dela - quando ainda era só peguete - na minha festa de aniversário de.... 22 anos. Fui pra Niterói alguns sábados da minha vida pra pintar o cabelo no mesmo lugar que ela: éramos duas loiras metidas. Andamos na Rua Teresa, em Petrópolis. Vendi meu carro velho e comprei meu carro novo com o namorado dela.

Confidenciei e ouvi confissões. Zoei, chamei de velha, disse que ia fazer os bombons do casamento. Aliás, a última pergunta que fiz pra ela foi exatamente sobre onde ia ser a cerimônia. "Pára de enrolar o garoto", eu insistia.

Tudo isso passa como um filme na sua cabeça, e você se questiona o motivo pelo qual esse tipo de coisa ocorre com as pessoas. Jovem (28 anos), com planos de casamento pra esse ano, bem sucedida. E minha amiga. Claro, essa é a parte mais importante, é o que faz doer meu coração.

Eu sei que ela vai sair dessa, que os planos de radioterapia são só temporários e que nada vai impedi-la de casar ainda esse ano. Mas, até lá, meu coração vai ficar pequenininho, apreensivo, amedrontado.

E com medo não só por ela, é óbvio, mas por todas as porradas que ainda tomaremos - nós todos, sejamos realistas - ao longo da nossa vida.

Você, que está aí me lendo mas sequer sabe de quem eu tô falando: faça um pensamento positiv. Eu garanto que ela merece. E faça mais, mas dessa vez por você: seja feliz, pois ainda que falar isso seja totalmente clichê, um dia você não vai mais ter essa escolha.

Um comentário:

Unknown disse...

oi, nadia maria
pensamento super positivo pra vc, por vc e por todos nós
beijos