quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tão sexy quanto uma porta

Você acha que tudo já passou, que tudo está bem, que nada te abalará.

Toca o telefone.

- Já tinha até te mandado e mail te xingando pelo bolo.
- Desce logo aí, tô aqui perto do Franz, logo depois da esquininha.
- Não vou, não.
- Desce logo.
- Tá.

Abre o primeiro portão. Fecha. Abre o segundo portão. Fecha.

Despreocupada, afinal ele só está na esquina.

Você demorou pra descer, ele ficou impaciente e foi pra perto do seu prédio. Você, sem óculos, demora alguns milésimos de segundo pra reconhecer.

Chega mais perto.

Vê.

E a perna dá uma tremida.

Abraço.

onde-vc-quer-sentar? no-mesmo-lugar-que-da-outra-vez? vocês-já-foram-atendidos? uma-coca-light-com-gelo-e-sem-limão.

Manda mensagem pra grande amiga dizendo o problemão em que você se meteu.

E o olhar, ah, o olhar. Quase se acostumou, já, mas tem horas que dá frio na barriga.

Fodeu.

"Alguém me socorre e some com esse menino da minha frente", vc pensa.

Ele está ali, não adianta fingir que ignora. Tá na sua cara que você adora.

Sai correndo, como se isso fosse resolver o problema.

- Não precisa me acompanhar até em casa.
- Não precisa ou você não quer?
- Os dois.

De que adiantou o diálogo?

Ele vem do mesmo jeito.

Tchau.

Abre o primeiro portão. Fecha. Abre o segundo portão. Fecha.

E você, que achou que tudo passou, que tudo está bem e que nada te abalará, percebe os joelhos ainda tremendo.

Pena que são só os seus.

Um comentário:

x disse...

Cara, isso me lembra Bukowski (sem sexo). Muito bom!