Minha mãe me disse que estava querendo vir a SP. Por problemas técnicos, não veio. Essa semana ela finalmente admitiu que queria vir pois estava me achando muito triste.
E eu estava mesmo. Essa coisa de procurar emprego (assunto pra outro post), de não ter amigos (assunto pra outro post).... é ruim mesmo. Especialmente a parte de procurar emprego.
Além das coisas práticas e óbvias de se mudar de cidade, como não saber chegar nos lugares, não ter um restaurante favorito ou até que horas o supermercado de perto da sua casa fica aberto, tudo isso é fichinha perto do grande problema que é "conhecer pessoas". As coisas práticas, com o tempo e com o mínimo de observação, você resolve. Já as pessoas.....
Isso não é nada diferente do que eu já passei em 1997. Eu, uma paraibinha recém chegada ao Rio de Janeiro. Gordinha, com roupas estranhas, sotaque engraçado. Não tinha estudado no Ph, nem no Santo Inácio. Não tinha sobrenome conhecido (já em Manaus...). Enfim, uma legítima outsider.
E o engraçado é que eu não me lembro de ter tido issues não. Ok, houve momentos em que eu me senti sozinha, desamparada. Mas isso não acontece com todo mundo, mesmo que você nunca tenha saído de casa? Mesmo que você tenha 600 amigos no orkut?
Os anos foram passando, e a mania do carioca terminar todas as palavras com "a" (pô vira pooooooa, amor vira amoa, e assim vai) já não me irritava. Entendia, enfim, todas as gírias; sabia onde ficavam as coisas; qual programa era roubada ou não.
Da adaptação, só restou a certeza de que a fama do carioca ser hospitaleiro é só fama mesmo. São metidos MESMO, acham que só pq nasceram no Rio têm o direito de serem preconceituosos com o que lhe é estranho, não ajudam ninguém, são superficiais. Sim, esse é o Rio de Janeiro. Sem hipocrisia.
Mas é também a cidade mais linda do mundo; é onde os homens mais saradinhos do planeta andam seminus; e quando tudo parece uma merda, você olha pro Cristo, pensa na imensidão que é aquilo ali e fica mais tranquila.
Onze anos depois, decido vir pra São Paulo. Ainda não sei até que horas o supermercado fica aberto, e dou voltas imensas pra chegar em qualquer lugar. Sempre acho que a faculdade fica a 15 minutos daqui, de tão perto que é. Nunca passa pela minha cabeça que a Paulista pode estar totalmente engarrafada. É a tal adaptação.
O pior, porém, é conviver com os paulistanos. Não tô fazendo juízo de valor, se eles são mais legais que cariocas ou amazonenses.
Nada disso.
O problema é que eles são MUITO diferentes do que eu tive que conviver nesses 28 anos de vida.
1) Todos os homens têm jeito de bicha. Podem chamar de metrossexual, de "arrumadinhos", do que for. Eu não consigo identificar quem é hetero e quem é gay. Eles passam uma pasta, um gel no cabelo... e a alcinha de-vcs-sabem-o-q? A gola da camisa levantadinha, então... uó.
2) Eles demoram MUITO a "chegar". Não tô falando de paquera não! Na minha sala da faculdade mesmo fica todo mundo quietão, meio sem saber o que fazer... É muito bizarro. Mas sim, eles demoram a "chegar" no outro sentido também.
3) Piada de cunho sexual? Se você fizer uma, tem que se desculpar. Eles levam a sério. Não imaginam que você está brincando, e que comentários politicamente incorretos não são crimes.
4) As mulheres saem de casa maquiadas, com direito a base+pó+rímel+batom+blush+lápis no olho. Mesmo que elas estejam indo na esquina.
5) NINGUÉM sai de casa de cabelo molhado, mesmo que esteja um calor dos infernos. Ou o pessoal não lava mesmo a cabeça, ou têm muito tempo livre para secar a juba.
Eu sei que se tem uma cidade do Brasil onde você pode encontrar todo tipo de gente, essa cidade é São Paulo. Vou encontrar punks, indies, patrícias e maurícios, nerds, emos, toda sorte de tribos. A questão é que meu mundo, por enquanto, está restrito a garotos (as) que nasceram no mínimo 10 anos depois de mim; por mais que alguns deles sejam ótimas pessoas, eles não têm as mesmas referências que eu, o que complica para uma amizade mais íntima. O resultado disso é que eu vou ter que cortar um dobrado para criar um grupo de amigos.
Vai ser difícil e eu sei que eu sempre vou ficar na dúvida se o homem tá me olhando pq tá me azarando ou pq quer saber onde eu comprei minha bolsa, mas eu tô preparada pro desafio.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
Ué...achava q o DOM era nosso restaurante favorito em Sampa assim como o Le Pré é aqui o nosso...
Ainda acho a gola levantada cool.
I love you so, honey...
E eu tô começando a me irritar com o Alex Atala pq a dicção dele é péssima!
Assim não tenho mais nem vontade de ligar pra ele!
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