Houve quem comparasse "Juno" a "Little Miss Sunshine". A comparação só é justificável se levarmos em consideração que ambos são filmes independentes, de baixo orçamento (Juno custou US$ 7,5 milhões; Little Miss, 8 milhões de dólares), que chegaram à indicação para o Oscar.
A semelhança pára por aí.
Juno conta a história de uma adolescente de 16 anos que engravida após uma única relação sexual com seu melhor amigo, Paulie Bleeker (Michael Cera). O filme inicia com a personagem-título do filme (Ellen Page, de Meninamá.com, também indicada ao Oscar) fazendo seu terceiro teste de gravidez de farmácia. É um dos únicos pontos de contato com a realidade em todo o filme. Afinal, qual mulher na mesma situação não fez todos os testes possíveis ?
A partir daí, todas as reações da adolescente ficam "fakes", exceto em algumas ocasiões esparsas ao longo da história. A frieza com que ela lida com o fato, a decisão de abortar, depois de não abortar, e finalmente doar a o bebê é surreal, parecendo mesmo que ela está decidindo se compra um picolé ou um sorvete.
A reação do pai e da madastra da garota ao saberem da novidade também espanta. Ok, só no tempo em que eu escrevia isso dezenas de crianças nasceram no mundo (são 3 por segundo), e gravidez na adolescência não é algo que choca mais ninguém. Não é bem assim, cara pálida, quando acontece dentro da nossa própria família.
Juno já avisa no mesmo momento à família que irá doar seu filho a um casal encontrado nos classificados. Ninguém contesta (nem o pai da criança, um adolescente bobo e estereotipado, que passa grande parte do filme com um short que parece ter sido teletransportado da década de 70). Ninguém aconselha. Todos acham absolutamente normal que uma menina de 16 anos, que não teve o cuidado de usar camisinha, decida tudo sem segunda opinião. Inverossímil, inverossímil.
O casal adotivo escolhido é vivido por Jennifer Garner (Vanessa Loring, no filme; a Elektra do cinema; Sidney Bristow, personagem principal de Alias; e o mais importante: esposa na vida real do canastrão Ben Affleck) e Jason Bateman (de Arrested Development). No primeiro encontro de Juno com o casal, a menina parece ter saído das cavernas, sem ter tido nenhum contato social com o mundo exterior. O texto força situações pretensamente engraçadas, como quando a adolescente pede um uísque para beber.
Com o passar do tempo e com as visitas não programadas de Juno aos "pais" do filho que gera, fica claro que o casal aparentemente perfeito não é tão perfeito assim. Uma relação carinhosa entre Juno e Mark Loring (o "pai" adotivo) é estabelecida: há troca de músicas, comentários a respeito de filmes, bandas.... nisso sim eu acredito.
Contudo, ao saber que Mark pretende separar-se de Vanessa, Juno surta e sai da casa enfurecida. E nunca mais sabemos nada de Mark. He simply vanishes in the haze.
Finalmente Juno se acerta com seu amor magrelo e bizarro, tem o filho e doa para Vanessa, apesar de toda a certeza da mesma ser uma freak.
Fui ao cinema com 3 amigos. Eu e outro odiamos; os outros dois gostaram. Sinceramente? Quem indicou esse filme ao Oscar e o premiou anteriormente sofre de algum surto psicótico, ou eu é que sou estranha demais.
Ah, btw, o filme concorre a quatro estatuetas: melhor filme, melhor atriz (Ellen Page), melhor diretor e melhor roteiro original (!!!!!!!!!!!!!!!!).
Espero que perca todas.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
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