A mim mesma, talvez. Solteira convicta, vivi muito bem esses anos que passaram. Claro que às vezes me senti sozinha. Evidentemente quis prolongar relacionamentos que duraram o tempo de meia dúzia de músicas. Mas, honestamente, quem namora aqui e acolá se sente diferente? Não sejamos ingênuos. Todo mundo só se fode.
Então, fiz a escolha - consciente ou não - de ficar sozinha. É possível mesmo que eu tenha passado a mensagem errada para algumas pessoas. Absurdo dos absurdos, elas acreditam que eu seja uma mulher-sem-coração-que-se-só-quer-se-aproveitar-de-moços-indefesos.
Há um milhão de anos eu tinha uma certa afeição por um moço. Quando eu estava me mudando da cidade que nós dois morávamos, assumi o que sentia. "Por que você não me disse isso antes?", ele disse, me olhando com uma ternura e uma frustração que eu nunca tinha visto. Meses depois, já longe, recebo a notícia que ele estava casando. A namorada, adolescente, havia engravidado.
Pensando nisso, nas perdas que já tive na vida, e com a consciência que tudo muda num segundo, resolvi colocar a cara a tapa. Segui todos os conselhos que me deram ao longo dos anos, sobre "me abrir", "aceitar o amor", toda essa baboseira clichê. Como era de se esperar, me fodi.
Quer saber? Vou me fechar de novo. Não tem a menor graça ser ridícula.
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