domingo, 19 de outubro de 2008

Se a pior coisa da minha vida não tivesse acontecido há cinco anos, ontem seria dia de uma menina loirinha ganhar flores. Ganharia também beijos, abraços, "parabéns", talvez presentes dados por ela mesma. 

Ela já teria trazido ao mundo muitos bebês saudáveis e salvado alguns outros. Talvez já tivesse trazido um dela, mesmo. Com certeza isso já teria acontecido, aliás. 

Eu fiz a escolha errada da primeira faculdade. Ela ficou em dúvida entre duas e, no curso da escolhida, questionava-se sobre a duração daquela. "Se eu tivesse feito arquitetura, já estaria formada", reclamava. A falta de dinheiro por não poder sequer arranjar um estágio - a faculdade era em período integral - a angustiava. Mas ela era uma boba. Não havia outra coisa que ela pudesse ter estudado. Ela, sim, acertou. 

Infelizmente passaram-se poucos anos desde o momento em que ouvimos orgulhosos o nome dela entre os aprovados no vestibular (à época, as rádios de Manaus transmitiam a lista em primeira mão) e o último dia de trabalho dela. Ela não pôde perseguir todos os sonhos; não teve tempo pra salvar mais vidas. Mas, naqueles dois anos entre a formatura, em outubro de 2001, e a partida, em novembro de 2003, ela mostrou do que é feito um médico. 

Por tudo isso e com a certeza de que você continua fazendo a sua parte aí em cima:

Parabéns pelo dia do médico, minha irmã querida.


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