Ontem, uma boa noite com novos e velhos amigos. Voltei pra casa e consegui dormir - coisa que não fazia direito há quase uma semana. Estranhei a campainha não tocar por volta de oito e meia da manhã. Levanto quase uma da tarde, e escuto a mensagem na secretária eletrônica:
- Olha, eu não vou trabalhar hoje porque mataram meu filho.
Não conhecia o filho da diarista, e confesso que minha relação com ela é bastante superficial. Mas isso não importa: há mais uma mãe, hoje, que vela um filho morto. Pior é a sensação de que ALGUÉM provocou isso.
Daí não tem jeito. Eu volto nove anos no passado, e lembro que em 23 de outubro de 1999 um acidente, também provocado por outra pessoa, tirou o irmão de uma das pessoas que eu mais amava à época.
Quatro anos depois, outro "acidente", também provocado por outra pessoa, tirou a minha irmã do meu convívio. Era uma quarta feira, 12 de novembro. Este ano, a data cairá no mesmo dia da semana. Exatamente uma semana após o meu aniversário.
Lá, em 2003, o dia 12 de novembro foi o início de uma sucessão de tristezas, medo, saudade. As tragédias nunca são anunciadas. Não nos resta nada além de aproveitar o hoje.
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